Tradições




PROCISSÃO AOS DEFUNTOS
Todos os Domingos existia a chamada "Procissão aos Defuntos". Realizava-se à volta da Igreja. Saía o Mordomo da Cruz, dois homens com sírios acesos e o homem da caldeira.

MORDOMO - CRUZ PROFISSIONAL
Também esse Mordomo tinha obrigação de acudir com pressa para todas as funções em que a Cruz Processional saísse fora, como é acompanhar o Santíssimo Sacramento, as Procissões aos Defuntos e acompanhar o Pároco ao compasso e era obrigado a levar a sobrepeliz quando se fosse fazer algum clamor fora da freguesia.

PÁSCOA - ÁGUA BENTA
Pela Páscoa, quando se ia lançar a água benta pelas casas, dava-se sempre ao Abade um vintém de ovos. Quem quisesse poderia exceder esse número. Daria, também, um tostão em dinheiro.

CONFRARIA DA SENHORA DO ROSÁRIO
Os da Confraria da Senhora do Rosário, todos os primeiros Domingos dos meses, mandavam celebrar uma Missa Cantada e, no fim, fazia-se a Procissão até ao cruzeiro, no fim da qual, se fazia o Sermão.

HOMEM DA VARA
Quando se fazia a eleição para o Juíz e Oficiais da Confraria do Subsino, costumava-se nomear um Oficial que era chamado o Homem da Vara. A esse Oficial competia vigiar as pessoas que andassem "desaguisadas", que falassem na Igreja ou que constassem no Rol do Abade. Deveriam ser denunciadas para que o Abade as condenasse.

O SARGAÇO - UMA TRADIÇÃO QUE SE PERDEU...
Um dos documentos mais antigos que se conhece sobre a apanha do sargaço, no Norte de portugal, refere-se precisamente a Fonte Boa.
Nos portugaliae Monumenta Histórica, Inquisitiones, fasciculo IX (ano de 1220) , relata-se a problemática enfrentada pelos homens de Fonte Má, hoje Fonte Boa, quando iam recolhê-lo na praia do Couto de Apúlia 72, Ei: os termos dos documentos: "(...) et Domnus Johannes Egee, eiusdem loci archiepiscopus orohibuit eis modo noviter quod pre argacom non irent ac rnare." “Item, dixit quod homines Domini Regis de Fonte Mala ibant per cautum de Pulia pro argacio ad mare, ad stercorandas hereditates forarias Domini Regis, et archiepiscopus bracharensis Dominus Johannes Egee prohibuit eis viam illam in dampnum Domini Regis".
Por esta atitude, em relação ao Rei, resultou uma queixa recolhida pela quinta alçada das Inquirições de D. Afonso III, em 1258. D. Gaspar de Bragança, Arcebispo de Braga (1758-1789), ao realizar as suas visitas pastorais "capitulou para os moradores de Apúlia, Fão e Fonte Boa que pudessem apanhar sargaço sem multa nos dias de preceito, desde que houvesse causa grave para o pároco os poder autorizar e os autorizasse mesmo, após informação positiva de dois Homens de sãs consciências e desinteressados.
Em Fonte Boa sempre houve uma grande tradição na apanha do sargaço. Nos vários documentos, por nós estudados, mais precisamente os referentes ao Juiz de Paz de Fão, as Actas da Junta de Paróquia de Fão e aos Livros de Irmãos da Santa Casa da Misericórdia de Fão, verificamos que as pessoas, de Fonte Boa participavam activamente na arrematação anual do sargaço, no litoral entre Fão e Apúlia. Aliás em vários estudos sobre o sargaço no Litoral Norte de Portugal os fonteboenses são referidos com destaque. Fernando Galhano e Ernesto Veiga de Oliveira registaram que "...onde os matos escasseiam, como nas regiões de Esposende e Fão, os lavradores mantém vivo o seu interesse pela apanha do sargaço para consumo próprio, prolongando aquilo que nos parece representar o sentido originário desta actividade; e a despeito da distância relativamente grande a que ficam da praia, todas as casas de lavoura de Gandra e Fonte Boa, ricas e pobres, continuam quase que sem excepção a mandar a sua gente ao sargaço, e tem as respectivas barracas de abrigo na praia", e continuam "...nas zonas em que continua a ser o lavrador quem procede à apanha do sargaço, como Gandra e Fonte Boa, é, e foi sempre, quase exclusivamente o homem que entra no mar, com o rodafole ou a graveta.
A mulher ajuda a transportar, espalhar e carregar o sargaço.
" A maior parte das barracas de pedra e xisto, que se localizam a Sul da Sr.ª da Bonança, eram propriedade de lavradores de Fonte Boa, que ali guardavam os seus aprestos e o sargaço recolhido. Em 1886 - "A Sul de Fão, a caminho de Apúlia, encontravam-se 35 barracas, na maioria pertencente a moradores da Freguesia de Fonte Boa. Este local era conhecido pelo lugar de Frade ou Gramadoira. A actividade de recolha de sargaço, aliada também à pesca da lagosta, era significativa quer em número de pessoas que a ela se dedicavam, quer mesmo à sua rentabilidade económica ".
A Jangada de Fonte Boa era do tipo carro de madeira com quatro rodas. O fundo era de cortiça e lateralmente tinha duas "toleteiras" para aplicar remos.

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